#114 Pedro Magalhães - Mitos da política contemporânea: voto económico e eleitores da direita radical
O convidado é Investigador Principal no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Estuda opinião pública e comportamento eleitoral, tendo publicado em revistas académicas como o American Journal of Political Science, Comparative Political Studies e West European Politics, entre muitas outras, e em editoras como a Cambridge University Press ou a Oxford University Press. Em 2022 será publicado o Oxford Handbook of Portuguese Politics, de que foi co-organizador. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O Pedro foi um dos primeiros convidados do podcast, logo no episódio nº 7, que saiu há 4 anos (e não 3 como eu digo na gravação)! Desafiei-o para voltar ao 45 Graus para falar de alguns mitos da política contemporânea -- algumas ideias que vemos difundidas mas que não são verdade ou são simplificações de fenómenos mais complexos que a Ciência Política tem estudado. Abordámos dois desses “mitos” no episódio. O primeiro tem que ver com as limitações do chamado “voto económico” -- isto é, a ideia de que o resultado das eleições é ditado sobretudo pelo desempenho da economia, e que os eleitores são capazes de fazer bem essa avaliação. O Pedro chama a atenção para que há uma série de condicionantes nessa relação. Uma delas é a capacidade dos eleitores em avaliarem bem a qualidade do governo, seja na economia seja noutra áreas. No entanto, o convidado salienta que, apesar dessas limitações e da complexidade crescente da política, o eleitor médio vai conseguindo, em última análise, tomar decisões racionais e informadas. Este tema levou-nos também a discutir o modo como a política em Portugal está hoje mais ideológica e polarizada. O convidado chama a atenção para que, apesar do aumento da abstenção, a participação política em Portugal é hoje maior do que no passado. O segundo dos “mitos” que abordámos está relacionado com o crescimento dos partidos da direita radical na Europa nas últimas décadas. A propósito desta tendência, é comum ouvirmos dizer que estes partidos foram roubar eleitorado aos partidos da esquerda tradicional, designadamente o chamado eleitorado operário, ligado à indústria e com baixo nível de educação. No entanto, o convidado chama a atenção para que isto é uma simplificação. Não só isso não explica a perda de peso dos partidos da esquerda tradicional como não é daí que vêm a maioria dos votantes nos partidos da direita radical. A crise da esquerda tradicional em muitos países europeus é, todavia, uma realidade. Portugal é, no entanto, uma excepção a esta tendência; em parte não pelos melhores motivos, porque continuamos a ter uma economia relativamente pobre e um nível de escolarização médio baixo. Para inverter essa tendência seria preciso investir mais em políticas de longo-prazo, designadamente em políticas para a juventude, na educação e na ciência. No entanto, como faltam recursos, o discurso dos partidos tende, como temos visto na campanha, a focar-se mais no curto prazo. No final do episódio, pedi ao convidado algumas ideias para inverter esta tendência e conseguir investir mais em políticas de longo-prazo. _______________ Índice da conversa: (00:00) Introdução (5:20) Quão importante é, na verdade, o desempenho da economia no resultado das eleições? | Limitações do “voto económico”. Paper de Mark A. Kayser “The Elusive Economic Vote” | Papers do convidado: comparação das eleições legislativas de 2011 e 2015; “The Economy and Public Approval in a Semi-Presidential Regime: the case of Portugal” (ainda não publicado) (15:27) Limitações do eleitor médio a avaliar o desempenho do governo? | Livro “Democracy for Realists”, de Achen e Bartels (28:11) Apesar dessas limitações, o eleitor médio acaba capaz de tomar decisões racionais tendo em conta os dados (31:24) Paradoxo: as pessoas mais bem informadas sao também mais ideológicas. (38:06) A política em Portugal está mais ideológica e polarizada? | A participação política em
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