#115 Luísa Pereira - O que a Genética tem revelado sobre a evolução humana e a nossa Pré-História
A convidada é doutorada em genética populacional humana pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde é investigadora principal e líder de grupo no laboratório i3S-Ipatimup. Na sua investigação, usa a genética para inferir o passado e a evolução das populações humanas e em avaliar a susceptibilidade das populações humanas a doenças complexas. É autora do livro “O Património Genético Português”. Recentemente, lançou um curso para leigos denominado “Odisseia Genética”, que possibilita a realização informada de um teste de ancestralidade -- de que falamos ao longo do episódio. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Nos poucos séculos que tem a Ciência moderna, avançámos imenso no conhecimento que temos do Mundo que nos rodeia. Mas este progresso ocorre, por norma, de forma gradual -- incremento a incremento. Só que de vez em quando, muito raramente, temos a sorte de ocorrerem, em poucos anos, uma série de avanços em catadupa.. Foi isso que aconteceu recentemente na área de investigação da convidada, a Genética populacional, onde nos últimos 10/15 anos ocorreu uma verdadeira revolução, graças a desenvolvimentos técnicos que permitiram estudar muito melhor o DNA humano. A Genética Populacional dedica-se a estudar e perceber em que diferem as populações humanas, comparando o perfil genético dos habitantes de diferentes geografias ou de diferentes etnias, estudando quer o perfil genético das pessoas de hoje quer o DNA que encontramos nos fósseis. Uma das áreas em que a investigação neste campo tem gerado enormes progressos é no nosso entendimento sobre o modo como evoluiu a espécie humana. Onde antes tínhamos de nos guiar quase exclusivamente pela comparação entre a morfologia dos humanos actuais e dos fósseis dos nossos antepassados, hoje podemos estudar em detalhe o genoma dos humanos actuais para procurar pistas sobre o nosso passado evolutivo, e conseguimos mesmo recolher e analisar o ADN dos próprios fósseis para medir como diferiam esses humanos dos actuais. Estes avanços têm permitido progressos notáveis, que discutimos na conversa. Por exemplo, ao estudar o DNA, conseguimos saber o que os fósseis ainda não contam, como é o caso de uma espécie ancestral que foi encontrada no genoma de populações africanas (uma espécie de neandertal de África) e da qual não há registos fósseis. Graças a estes estudos, sabemos também hoje que o surgimento da nossa espécie em África foi um fenómeno muito mais complexo do que até aqui achávamos. Outra área em que a genética populacional tem trazido imensos progressos é no nosso conhecimento sobre a nossa História mais remota. É que se hoje temos um conhecimento razoável da História desde a Antiguidade, não há registos que relatem fielmente o passado humano antes da invenção da escrita, ou seja há cerca de 5000 anos. Por isso, até aqui, sabíamos muito pouco desse periodo, e o que sabíamos estava envolto em dúvidas. Mas ao estudar o DNA das populações actuais das várias geografias e compará-lo com o dos fósseis que foram encontrados nesse local, tem-se desvendado factos fascinantes sobre o modo como as diferentes populações actuais estão relacionadas e sobre migrações importantes ocorridas no nosso passado mais distante. Finalmente, o estudo da genética das populações permite ainda avaliar a diferente susceptibilidade das diversas populações humanas a doenças complexas, e perceber a origem dessas diferenças, o que permite desenvolver melhores tratamentos. Esta é, por isso, uma área fascinante, que vale a pena acompanhar, e a conversa com a Luísa Pereira foi muito interessante. Em todo o caso, vale a pena fazer uma ressalva: se é verdade que estudar o perfil genético tipo das diferentes populações actuais nos dá uma série de informação, é preciso ter em conta que o grosso da variação genética entre os seres humanos pode ser encontrado dentro de todas as populações. Só 15% da variação genética humana existe exclus
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