#101 Cláudia Ribeiro e Óscar Afonso - Índice de qualidade das elites
Os convidados são professores e investigadores na Faculdade de Economia do Porto (FEP), e são os responsáveis em Portugal pelo estudo ‘índice da Qualidade das Elites’, de que falámos neste episódio. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Este índice da Qualidade das Elites foi desenvolvido por dois investigadores da Universidade de St. Gallen, na Suiça (Tomas Casas e Guido Cozzi) e propõe-se fazer algo inovador: medir a qualidade das elites de cada país, na esfera política e na económica. O golpe de asa do índice está em avaliar a qualidade das elites não directamente, o que seria bastante difícil mas medindo as consequências das suas acções em termos do desenvolvimento económico e humano que geram em cada país. Os investigadores partem da premissa de que em qualquer sociedade existem elites, e que isso não acontece por acaso, porque as elites cumprem, ou podem cumprir, uma função útil na coordenação de recursos (sejam eles pessoas ou recursos económicos), o que é essencial para gerar crescimento e desenvolvimento. A metodologia assume que as elites procuram sempre aumentar o seu rendimento, mas podem fazê-lo de duas formas: ou aumentando a fatia da riqueza do país que conseguem abarcar, ou gerando desenvolvimento económico, o que aumentará tanto a riqueza que lhe cabe como o rendimento da sociedade como um todo. A primeira componente do índice mede isto: se as elites extraem ou sobretudo criam valor para a sociedade. A segunda componente do índice mede o poder das elites em cada país. A ideia é que o poder presente das elites é uma espécie de indicador da capacidade dessas elites para, no futuro, se tornarem extractivas. Ou seja, elites com muito poder podem mais facilmente (não quer dizer que o venham a fazer) abarcar com recursos para elas sem gerar qualquer desenvolvimento para o resto da população. Se vos interessar acompanhar o relatório de qualidade das elites, este ano irá sair uma nova versão do relatório, ampliada a mais países e com revisões metodológicas. Estejam atentos. Índice da conversa: • Indicador • O que são elites? • Daron Acemoğlu e Robinson - Porque falham as nações • A metodologia do índice • Mede o desempenho pelas consequências • Valor: criação vs extracção de valor (‘rent-seeking’) • Poder enquanto condição necessária para extracção futura de valor: alto vs baixo • Esfera económica vs política • Comparação desta teoria das elites enquanto principal driver do desenvolvimento com teoria das instituições • Que indicadores são usados no índice (72 indicadores)? • Elites económicas: indicadores de poder e valor • Elites políticas: indicadores de poder e valor • Fontes utilizadas • Trade-off compatibilidade vs profundidade / exactidão • Como é que as elites políticas podem criar valor (ou não o fazer)? • Resultados: ranking dos países • Singapura: nº 1 mas com elites com muito poder • Afinal existem “déspotas esclarecidos”? • Comparação com China • EUA e Reino Unido • As melhores em poder (poder baixo), mas não geral valor correspondente • Que efeito tem o aumento da Desigualdade nas últimas décadas? • Portugal. • Porque é que as elites políticas geram tão menos valor face às elites económicas? • O fraco desempenho das elites políticas • Desigualdade regional e o centralismo lisboeta. • ...de volta à metodologia do índice • Limitações da metodologia: indicadores que beneficiam a classificação de um país mas não deviam • Ex: poder económico -- o indicador de ‘posição dominante’ (de empresas num mercado) • Melhorias futuras: que indicadores gostavam de acrescentar ou retirar? • ...de volta a Portugal • Economia paralela • Indicador do observatório de Economia e Gestão de Fraude • Comparação com outros países • Corrupção: cifras negras • Problema da falta de protecção de Investidores minoritários em Portugal • Indicadores de destruição criativa (Schumpeter) • Bottom-line: o que há a c
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