[especial COVID-19] #84 Ricardo Mexia - “Que pandemia é esta e que medidas de Saúde Pública podem ser tomadas?”
Este é o segundo de dois episódios especiais sobre o novo Coronavirus (nome técnico SARSCov2). Nestes episódios procurei duas perspectivas complementares em relação à pandemia que vivemos, uma da virologia e outra da epidemiologia e saúde pública. A ideia foi aproveitar este período de quarentena para ajudar a divulgar mais informação sobre o vírus, usando este espaço para complementar a informação dos media generalistas uma vez que aqui podemos ter uma conversa com menos constrangimentos de tempo e com maior profundidade. Ricardo Mexia é médico de Saúde Pública do Departamento de Epidemiologia (DEP) do Instituto Ricardo Jorge e Presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP). E alguém que tem tido uma agenda muito intensa por estes dias. Agradeço-lhe, por isso, a gentileza de ter participado no podcast. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar A conversa foi gravada domingo 15 de março e discutimos sobretudo as características desta pandemia e as medidas possíveis de resposta ao problema. Nesta quase 1 hora, cobrimos uma série de aspectos, desde o grau de contágio e letalidade do vírus, à importância de pôr em prática uma política de testes abrangente, às estratégias de resposta à pandemia que os diferentes países estão a seguir e ao que a História nos diz sobre a eficácia relativa dessas medidas e, finalmente, olhando para o futuro, o que será preciso para gerir da melhor forma uma futura pandemia. Infelizmente, não deu para cobrir tudo o que queria ter discutido. Teria sido interessante, por exemplo, abordar em mais detalhe a gestão operacional da resposta do sistema de saúde, desde a organização dos hospitais à gestão das linhas de atendimento. Já do ponto de vista da epidemiologia, outra questão importante sugerida por um ouvinte seria perceber se o contágio pode abrandar quando o tempo aquecer e, inversamente, se não existe o risco de um regresso em força se o inverno seguinte for particularmente frio. Finalmente, um aspecto não menos importante da gestão desta crise é conseguir persuadir a população da dimensão real do problema, isto numa altura de descrença em instituições como a Ciência e tendo em conta que estamos a lidar com uma epidemia cujos efeitos maiores só se fariam sentir (se nada fosse feito) daqui a semanas ou meses. É preciso dizer, aliás, que o papel da comunicação social tem sido muito útil para reequilibrar este terreno de jogo inclinado, apelando habilmente (e, por uma vez, com efeitos positivos) a vários dos nossos vieses cognitivos: seja inundando-nos com uma torrente tal de informação que este passa a ser quase o único problema, seja provocando-nos medo com imagens da situação na China e na Itália seja, ainda, dando-nos acesso directo às pessoas por trás dos números, a quem dirigimos a nossa empatia. Índice da conversa: • Grau de contágio: R0 vs R efectivo. • Diferença entre letalidade e mortalidade • O caso da Coreia do Sul • Porque é tão importante ter uma política de testes abrangente • Casos efectivos va casos reais • Jogo ‘Plague Inc’ • Comparação com os vírus SARS e MERS • Diferentes estratégias de combate à epidemia • O imperativo de ‘achatar’ a curva epidémica • O modelo do Reino Unido • O modelo de Macau • Imunidade de grupo • Proteger os grupos mais suscetíveis • Rastreio à entrada • Rastreio à saída • Encerramento de escolas • O que nos diz a História sobre a eficácia relativa das várias medidas que podem ser tomadas? • Como gerir da melhor forma uma futura pandemia? • A capacidade do Serviço Nacional de Saúde enquanto ‘bottleneck’ efectivo à capacidade de limitar a letalidade de uma pandemia • Cenários para o futuro próximo em Portugal Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast: • Gustavo Pimenta; Eduardo Correia de Matos, Joana Monteiro • Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da
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