#94 Filipe Nobre Faria - Os limites evolutivos da (nossa) moral liberal
Filipe Nobre Faria é doutorado em Teoria Política (2016) pelo King's College London e professor na Universidade Nova de Lisboa, com investigação nas áreas de filosofia política e ética . -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Conversámos a propósito do livro recente do convidado, ‘The Evolutionary Limits of Liberalism’ (os limites evolutivos do liberalismo). É um tema que vem mesmo a calhar, tendo em conta que junta filosofia política à biologia evolutiva, precisamente dois assuntos que estou farto de discutir aqui no 45 Graus. Resumidamente, no livro o Filipe faz uma análise à sustentabilidade da moral liberal, típica das democracias ocidentais, à luz da teoria evolucionista de Darwin. Por ‘moral liberal’ entenda-se a primazia dada ao indivíduo, que está na base das ideologias dos principais partidos do sistema nos países ocidentais (e não só), que defendem, em maior ou menor medida, princípios como a democracia, mercados livres, estado de direito, direitos civis, direitos humanos, secularismo, igualdade de gênero, igualdade racial , internacionalismo, liberdade de expressão, etc etc. Na sua análise, o Filipe tenta, então, medir directamente a ‘fitness’ evolutiva (i.e., a adaptabilidade) desta moral à luz da selecção natural: ou seja, avalia em que medida é que uma moral baseada no primado da liberdade individual gera ou não coesão e promove a natalidade dos grupos. As conclusões, já vão ver, não são as melhores para o paradigma liberal. Este é um trabalho oportuno, porque ajuda a enquadrar a raiz de alguns dos desafios que o modelo liberal enfrenta actualmente; sejam as ameaças que vêm de dentro, como a ascensão de movimentos populistas e anti-sistema, sejam as ameaças que vêm de fora, como a aparente perda de força das democracias no plano internacional face a Estados autocráticos como a China ou a Rússia, com a sua visão a longo-prazo e menores pruridos éticos. Preparem-se: como todas as conversas filosóficas, que nos forçam a revisitar as fundações das nossas convicções, esta foi uma conversa desafiante e, por vezes, admito que algo confusa de seguir, tal o número de dimensões em cima da mesa e a complexidade do objecto de análise. No final, embora discorde de alguns aspectos da tese do Filipe, foi sem dúvida uma conversa muito estimulante, que me deixou a pensar nos dias a seguir. Índice da conversa: • Liberalismo • Modelo de seleção de grupo (multinível) • A função da moralidade • Aptidão reprodutiva vs prosperidade • Falácia naturalista • Revolução cultural chinesa • A vida nos Kibbutz • Teoria do mismatch • Gene-culture coevolution • Hayek e a vantagem evolutiva do liberalismo • Críticas contemporâneas ao liberalismo quer à esquerda quer à direita • Jogos de soma positiva • Lógica normativa vs naturalista • O caso de Portugal, que é um país considerado colectivista (à escala europeia), mas tem das mais baixas taxas de natalidade • Hofstede • Taxas de natalidade • Capital social • Dados do World Social Capital Monitor • A sedução dos regimes autocráticos • Será que a teoria da selecção de grupo caiu em desuso após a II GM em virtude da aversão das sociedades a ideologias colectivistas? • Teoria da escolha racional • A União Europeia e a dificuldade em criar uma comunidade cultural à escala europeia • A coexistência, nas sociedades contemporâneas ocidentais, da moral liberal com outras morais, colectivistas e/ou tradicionais • Jonathan Haidt e a Teoria dos fundamentos morais • O exemplo dos Amish: • David Benatar - livro • A (alegada) insustentabilidade do Liberalismo ajuda a explicar a ascensão dos movimentos populistas? • Karl Polanyi • Recomendações do convidado para gerar uma moral mais sustentável nas sociedades contemporâneas • Livro recomendado: , de Joseph Henrich Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Rui Oliveira Gomes, T
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